segunda-feira, 25 de maio de 2015
segunda-feira, 18 de maio de 2015
quarta-feira, 6 de maio de 2015
segunda-feira, 4 de maio de 2015
segunda-feira, 27 de abril de 2015
quarta-feira, 15 de abril de 2015
quinta-feira, 26 de março de 2015
Atividades Roma Antiga
https://docs.google.com/forms/d/1g3YuV5Zo73LzEXu5UCH2Sjto1kAx3XWZtLM0sYbPkSQ/viewform?usp=send_form
segunda-feira, 16 de março de 2015
Atividade História, cultura e tempo
Entre no link abaixo para responder as atividadesHistória, cultura e tempo
quarta-feira, 11 de março de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
A palavra de ordem do dia é greve!
Beto Richa tem "deitado e rolado" na sua segunda passagem de (anti) gestão do Estado. Não vou enumerar aqui os últimos malefícios, já que a simples definição "pacotaço" explica muita coisa. Nem vou ficar apontando: "viu, quem mandou você votar no Richa?". Acredito que não é hora pra isso. A minguada, porém raivosa, oposição do PT na ALEP já fala de impeachment do atual (des) governador. Protocolou-se a abertura de uma CPI para investigar os rombos bilionários nos cofres públicos. Diante de tamanho descaso com o todo o funcionalismo, especialmente professores e, especialmente professores PSS, as ruas nos chamam novamente. Nada mais hipócrita do que a base paranense do PT pedir impeachment do Richa, quando ano passado acusou de anti-democráticos todos os que pediram o da Dilma. Coerência, a gente vê por aqui. Não precisamos esperar que a violência se escancare ainda mais para movimentarmos nossos pés. Nossa luta não pode ocorrer apenas no campo da burocracia, dos abaixo-assinados, das denúncias nas redes sociais e da formação do consenso da maioria. Nossa luta precisa voltar a ter como espaço de protagonismo as ruas. Na última manifestação em frente a Secretaria da Fazenda, ouvi de uma antiga e respeitada sindicalista que naquele mesmo espaço ela apanhou da polícia a 20 anos atrás. Engraçado, por que essa mesma pessoa foi uma das protagonistas da "volta a sala e implantação de estado de greve", no ano passado, quando uma poderosa marcha escancarou aos inimigos dos trabalhadores a força da categoria.
Mas, agora, com a batata queimando, parece ser unicidade a iminência da greve. A adesão da maioria dos professores vai ocorrer na próxima Assembleia, em Guarapuava, no sábado (07). Se a APP-sindicato abortar essa greve, a categoria precisa se impôr à revelia da liderança pelega. Não vejo outra saída para a situação a não ser greve por tempo indeterminado. Agora uma pergunta não quer calar: qual será o alcance dessa greve? Richa, playboy de prédio, não vai querer macular ainda mais a carreira que, mafiosamente, tem construído. Ele quer voar alto dentro das fileiras do partido. Por isso, vai apresentar um pacote mínimo para o funcionalismo. Nessa hora é preciso apertar o cinto e dizer não. Em outras palavras: QUEREMOS NOSSOS DIREITOS NOVAMENTE e QUEREMOS MAIS DIREITOS, ou a greve continua. Terá, nosso histórico sindicato culhões para isso? Ou nos contentaremos com as migalhas jogadas? Dia 07 será decisivo sim! A palavra de ordem do dia é greve. Qualquer outra posição, na atual conjuntura, representa retrocesso.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
O que o (des) governo Dilma e Richa tem em comum?
Tudo. Exatamente. Os últimos 4 anos de Dilma Rousseff na presidência acelerou aquilo que inúmeros intelectuais de esquerda já haviam apontado a muito tempo: a falência das políticas e da administração petista. Os 8 anos de Lula não escapam dessa definição. Ele deve dar graças ao bom momento vivido pela economia nacional entre 2002 e 2010, num contexto de retração dos mercados internacionais. Parcelas consideráveis de trabalhadores, inclusive eu, navegou tranquilamente na esperança de tempos melhores. Ao fim e ao cabo, as recentes atitudes da chefe da nação escancaram o caráter de classe do lulo-petismo. Não adianta de nada vir contestar que o PT estimulou o PROUNI, o Minha Casa Minha Vida, o PRONATEC, etc, etc, etc. Se fossemos discutir a dinâmica de cada um desses programas ao máximo veremos o que eles representam aos grandes monopólios brasileiros (bancos, empreiteras, conglomerados econômicos). No campo da educação, por exemplo, grandes conglomerados como a Estácio, a Kroton e outras mega empresas já sentiram o despencar das ações, fruto das recentes medidas do governo em relação ao FIES. A palavra mais comentada na última campanha de Dilma foi PRONATEC. Afinal, na perspectiva dos trabalhadores, isso talvez tenha sido a única coisa boa do PT.
Como um governo que se auto denomina progressista consegue atuar tendo como aliados o PMDB, Kátia Abreu, Joaquim Levy, Calheiros e, graças a Deus o já aposentado e defensor da ditadura José Sarney? As recentes medidas de austeridade e ajuste fiscal do "coração valente", tem ameaçado o verdadeiro CORAÇÃO VALENTE: o coração do trabalhador. Não será de estranhar se daqui a algum tempo aumentar os indíces de infarto. Não tem como aguentar as altas de preços, a elevação da taxa tributária, o peleguismo da CUT, etc. O (des) governo do PT é de direita. Nem de centro, nem de esquerda. No começo de 2011 ou final de 2010, não me recordo, fui num evento com o grande Plinio de Arruda Sampaio em que ele afirmava: o PT traz em seu bojo uma política de direita. Em pleno processo de aquecimento do mercado interno a base de empréstimos e juros, com uma euforia interna medonha, parecia desconjuntural tal afirmação. Hoje percebemos como ela faz todo sentido.
Se no plano nacional, temos acompanhado com pesar tais infortúnios, aqui no estado do Paraná temos presenciado um massacre direto do (des) governo do PSDB. Richa tem tomado medidas que já imaginávamos: enxugamento da máquina e culpabilização da União. Ele vive falando que não recebe repasses do governo federal. Nada mais tosco quando sabemos que isso é determinado por Lei e seu descumprimento acarreta severos problemas. Richa vai privatizar meio mundo, assim como Dilma vem fazendo, As richas internas entre PT e PSDB, aos olhos do agudo cientista, não ocultam o que eles tem em comum dentro da dinâmica da economia neoliberal. O abuso escancarado nos serviços públicos, o não pagamento dos trabalhadores da educação, o aumento das tarifas de transporte tem caracterizado um governo centralizador e autoritário. No que tange a educação vale destacar o peleguismo da APP-Sindicato em nível regional, muito semelhante a sua irmã siamesa, a CUT. Já indiquei em outros textos, como nosso sindicato gosta de visitara ALEP, mas é pouco frequentador das ruas. Nosso sindicato HOJE, tem medo das ruas. Abortou uma greve poderosa ano passado e hoje amarga o rancor da categoria.
Sem papas na língua: PT e PSDB representam duas caras de uma mesma moeda. O presidencialismo de coalizão já uniu esses partidos em vários estados da Federação. Não adianta ficar fazendo campanha pro PT aqui no estado, tendo como justificativa "dos males, o menor". Esse mesmo slogan foi utilizado no embate Neves/Dilma. Basta analisar os primeiros suspiros do segundo mandato de Dilma para entender bem o retrocesso de tal afirmação. Nosso lugar precisa ser o da oposição. Veja na Grécia e Espanha. A classe trabalhadora está nas ruas e conquistou uma vitória importante com o Syriza.
Quer fazer a crítica ao Richa? Não esqueça da Dilma...
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Quando a violência se torna um problema político e ambiental?
O texto do professor e filósofo
Jefferson Moraes, publicado em seu blog (http://afasiamoral.blogspot.com.br/)
aborda um fenômeno que, como muito bem definido no começo de “O ódio e a violência são problemas
estritamente político/ambientais?” foi e continua sendo “desafiador para a
compreensão humana”. Não sem razão, debruçaram-se sobre ele vários pensadores e
intelectuais como Hegel, Marx e Nietzsche e mais precisamente na atualidade o
polêmico e baderneiro filósofo esloveno Slavoj Žižek.
Nosso objetivo aqui é contribuir
para o debate em torno dessa temática tão atual, cuja discussão mais numerosa e
densa ganhou força apenas a partir da década de 1980 (ver. http://rbhcs.com/index_arquivos/Artigo.Refletindo%20sobre%20a%20viol%C3%AAncia.pdf
). Por isso, estamos longe de propor uma análise metódica e detalhada sobre o
processo da violência, até porque sobre isso existem várias obras disponíveis. Esse
espaço reúne espasmos de pensamento que pretendem abordar a violência desde a
perspectiva social e política.
Que a violência existe desde o
mais remoto registro material de atividade humana não resta dúvida. O mundo
natural, hostil e porque não desconhecido, impunha ao homo sapiens a produção
de violência em escala absurda para sobreviver. Mas o homem foi se organizando
de acordo com as demandas que o meio lhe impunha. Friedrich Engels, no
fantástico livro A Origem da família, da
propriedade privada e do Estado aponta que a civilização é um dso estágios
da sociedade caracterizado sobretudo por três questões que causaram uma
revolução na organização política e econômica: divisão do trabalho, troca entre
indivíduos e a produção mercantil. A apropriação individual de mercadorias e a
consequente acumulação primitiva fazem surgir formas de relações sociais
diferenciadas: é a capacidade de organização do homem posta a prova. O que concedia
coesão ao todo social, ao grupo de homens na dita “sociedade civilizada” era o
Estado. Por isso, afirma Engels: “A força de coesão da sociedade civilizada é o
Estado, que, em todos os períodos típicos, é exclusivamente o Estado da classe
dominante e, de qualquer modo, essencialmente uma máquina destinada a reprimir
a classe oprimida e explorada” (199). As transformações históricas,
reconhecidas as múltiplas variedades sociais e políticas (organização do poder,
divisão social, etc) apresentam em comum esse Estado hegemônico, não um monstro
externo, mas um ser criado no seio das relações sociais.
Os Estados do pós Renascimento,
como escreve Max Weber no A política como
vocação fazem o uso do monopólio da violência. Processo, diga-se de
passagem legitimamente reconhecido e autorizado. O Estado Moderno e soberano,
portanto, produz violência já que sua ação coercitiva, apesar de ser
legitimada, causa estranhamento nos indivíduos na medida em que representa
interesses de setores dominantes da sociedade.
Por isso, a frase: “(...) Isto é, utilizando como auxílio o
reconhecimento dos altos índices de violência nos grandes centros urbanos,
podemos afirmar que a violência representa uma resposta social hostil daqueles
indivíduos que não aceitam as demandas organizacionais vigentes e, portanto,
tal problema depende de uma equiparação ou inversão desses interesses?” esquece de apontar a violência institucionalizada
e material proposta pelas classes dominantes via Estado. A violência que temos
é a do oprimido, nunca a do opressor.
Está
longe, mas muito longe do interesse desse texto negar as contribuições
fantásticas que a neurociência, a psicologia evolutiva e a sócio-biologia tem
apresentado. Mas, a demanda da violência não pode ser pensada a-historicamente.
Isso significa que o Estado enquanto catalizador e pulverizador da violência
representa interesses privados. A violência, como afirma Žižek precisa ser desfetichizada (ver https://www.youtube.com/watch?v=29YFfKZD1B0
). Isso significa pensar a violência para além da reação do oprimido. A
violência do Estado é acima de tudo material (expressa-se por exemplo na atuação
da polícia nas muitas favelas do Rio de Janeiro), mas também simbólica e
invisível. A essas duas últimas estamos tão adestrados que nem notamos. A
própria democracia burguesa atual é uma violência. Por isso, o consenso será
sempre: qualquer mudança de ordem significa necessariamente violência. Nas
palavras de Marx, a violência é parteira do novo. Essa violência não
institucionalizada é criminalizada. A do Estado legalizada. Seus excessos
justificados debaixo do discurso de manutenção da ordem.
Por
isso, assim como Žižek sou a favor da violência! Mas da violência que
deslegitima o legítimo. A violência, assim como a história precisa ser pensada
também no campo das ideias. Isso significa que deve-se lutar pela construção
histórica de um conceito de violência que atenda as demandas da transformação
social. Por isso, a criativa e instigante pergunta formulada pelo professor
Jefferson ( “Entretanto, será
que a solução para amenizar a violência entre os partícipes de uma determinada
comunidade reside na melhor organização social e política como as teorias
ambientais propõem?”), pensada no contexto que aqui tentei desenvolver
já tinha sido respondida pelo próprio Engels: “Com o desaparecimento das
classes, desaparecerá inevitavelmente o Estado. A sociedade, reorganizando de
uma forma nova a produção, na base de uma associação livre de produtores
iguais, mandará toda a máquina do Estado para o lugar que lhe a de
corresponder: o museu de antiguidades, a lado da roca de fiar e do machado de
bronze.” (196). A violência vai desaparecer? Longe de mim afirmar uma besteira desse
tamanho. Mas como ela precisa ser pensada também
por um viés histórico, podemos ao menos pensar que muita coisa vai mudar. E por
que não os índices de violência?
quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Relembremos do 29 de abril de 2014!
Ontem, dia 4 de novembro de 2014, nas dependência do Poder Legislativo do Estado do Paraná, professores foram agredidos pelos seguranças da Casa, sob ordens do líder da mesma, o deputado estadual (que agora, infelizmente,é federal) Valdir Rossoni. Um episódio lamentável e grotesco que escancara as relações ditatoriais estabelecidas na ALEP, cuja maioria faz parte da base tucana.
Em primeiro lugar, é preciso entender o que estava em pauta ontem: a recondução, por mais um ano, das atuais gestões de diretores das escolas públicas do estado do Paraná. Ou seja, as quase 2200 escolas que já estavam em PROCESSO ELEITORAL terão que abortar suas comissões consultivas e regionais em nome de uma ordem golpista e autoritária vinda diretamente do exímio (des) governador do estado. O deputado Luiz Romanelli (PMDB) foi quem tratou de encaminhar o projeto para a votação na Câmara dos Deputados. Vale lembrar que ele já havia sido aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), faltando apenas passar pelo Legislativo e depois ir para o gabinete do Beto Richa. Não pretendo comentar profundamente o caráter anti-democrático do documento, completamente inconstitucional e que representava os setores mais podres da política e das últimas eleições para governador. Esse último, ao colocar em pauta e na ordem do dia a prorrogação dos mandatos de diretores por mais um ano tentou atender aos interesses dos vários, para não dizer da maioria, dos diretores de escolas que fizeram campanha aberta e velada em favor do candidato do PSDB. Um velho "toma lá dá cá" que remonta ao coronelismo, como bem elencou em seu texto "Nuâncias coronelísticas" o professor André (ver. http://professor-andre-rockstar.blogspot.com.br/2014/10/nuancias-coronelisticas-na-seed-pr.html).
O que me preocupa de verdade é a força da APP sindicato. Ela esteve, via seus representantes e sindicalizados, presente todos os dias da semana, desde que o projeto ameaçou chegar a Casa. Esses representantes, na sua maioria da liderança, mas também os da oposição ligados ao Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) gritaram palavras de ordem e acusavam, corretamente, de golpismo os deputados que votavam a favor. Vários vídeos apresentam o momento em que Rossoni ordena aos seguranças que retirem os "elementos" que ocasionavam a arruaça (ver. https://www.youtube.com/watch?v=xJbCtKBPkrQ; http://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2014/11/votacao-de-projeto-polemico-termina-em-confusao-nas-galerias-da-alep.html ). A partir daí vimos um espetáculo de violência típico dos tempos da ditadura.
A APP sindicato perdeu mais uma vez e só vem perdendo nos últimos meses. Por que? A perda de expressividade da APP já dura muito tempo. Os velhos companheiros sindicalizados contam histórias de resistência que tem como cenário as ruas. Hoje, a APP trocou de espaço: saiu das ruas para ir a mesa de cafezinho do governador. É lá que ela faz política. Os gritinhos de histeria da liderança do sindicato na ALEP representava uma verdade que todos sabiam: o projeto iria passar. A APP perdeu o controle e a confiança da categoria principalmente, quando na terça feira, dia 29 de abril, suspendeu uma greve forte e poderosa. Uma greve que tinha levado quase 30 mil às ruas. Uma greve que enchia de esperança o coração dos mais jovens como eu. Uma greve covardemente abortada pela liderança. Agora, a APP colhe os frutos e vem coisa pior por aí. De nada adianta entrar com pedidos disso e daquilo porque os porões da política são escuros demais. Se a APP realmente quissese que as eleições para diretores caminhasse democraticamente hoje convocaria greve geral em todas as escolas. Mas ela sabe que não tem poder mais para isso.
Longe de mim machar a história da APP, que começou com luta e nas ruas. Agora, longe de mim não problematizar o que esse sindicato representa hoje.
Se os professores, ligados a oposição à liderança apanharam ontem, a culpa é do Richa. Mas da APP também! Que tem adotado um método de resolver problemas que todos sabemos ser desleal para com os integrantes da categoria. Ou a APP volta pra rua e só saí quando as pautas forem realmente atendidas, ou continuaremos vendo professores apanhando.
domingo, 2 de novembro de 2014
Beijinho no ombro pro seu "IMPITIMAN"!
Não nos enganemos. Os movimentos que ocorreram ontem, dia 1º de novembro em algumas cidades do Brasil e que reuniram um número pífio de pessoas (muitas das quais com cartazes com erros absurdos de português) tem um ponto em comum: o reacionarismo e o anti-petismo. Os participantes alegam ter pautas diversas: alguns queriam melhorias na educação, saúde, transporte e serviços públicos; outros ansiavam pela saída do PT, envolvido em vários escandâlos. Até aqui tudo bem. Dentro da legalidade da democracia burguesa que apresentou uma corrida eleitoral-presidencial extremamente competitiva e acirrada.
Mas, existia uma outra pauta por trás desse processo: o golpe militar. Essa pauta existe desde os tempos da redemocratização e representa os setores mais conservadores da sociedade brasileira, hoje representados por Lobão, Bolsonaro, Feliciano e outras personalidades que dariam uma lista gigantesca. Nos últimos cinco anos essa ideia tem ganhado um corpo social jamais visto. Saiu de seu lugar cavernoso, os círculos reservados do conservadorismo, para ganhar espaço público. E quando ganha esse espaço confirma a tese de que o golpe militar de 1964 não foi apenas militar, mas envolveu também setores da sociedade civil. Tal dinâmica é fruto de algumas questões, que pretendo abordar rapidamente:
1) Fraqueza da Comissão Naciona da Verdade (CNV): a luta por condenar os envolvidos em crimes durante a ditadura no Brasil caminha a passos de tartaruga. Enquanto na Argentina, semana passada, quinze envolvidos com torturas durante a ditadura foram condenados (ver http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2014-10-25/justica-argentina-condena-15-a-prisao-perpetua-por-tortura-e-mortes-na-ditadura.html), no Brasil ainda patinamos em construir uma memória sobre os 21 anos mais obscuros de nossa história;
2) Desilusão com a política: aqui aparece a juventude. Enquanto docente de História e Sociologia tenho acompanhado de perto essa realidade. Existe um sentimento de despolitização jamais visto. Os partidos, instituições e movimentos estão completamente desgastados. Tudo é corrupção! Esse pensamento apresenta certa coerência, mas também riscos enormes. A possibilidade de se deixar levar e trilhar um caminho "à direita", marcado pela xenofobia, racismo, preconceito escancara-se com a dura realidade nacional. Por enquanto, o número de manifestantes pró-direita continua pífio, mas daqui alguns anos, o que teremos? (ver http://www1.folha.uol.com.br/colunas/guilhermeboulos/2014/10/1529543-onda-conservadora.shtml)
3) O PT tem culpa sim! O PT não é o responsável por esse processo. Ligar a história da corrupção a um partido é reduzir todo um processo que interliga umbilicalmente todo poder político e econômico do nosso país desde o processo da colonização. Mas, o PT, com seu discurso de combater a corrupção, caí numa armadilha sem fim quando, por exemplo, Lula, Malluf e Haddad aparecem numa foto juntos. As alianças que o PT tem feito desmoralizam ainda mais as organizações políticas e partidárias. Você, tucano, que está lendo isso, não se sinta escusado e tire esse risinho de deboche da cara e vá ler Privataria Tucana de Amaury Ribeiro Jr.
4) A esquerda tem medo de dizer seu nome: Vladimir Saflate, professor de filosofia da USP escreveu uma importante obra "A esquerda que não teme dizer seu nome"(2012). Nesse livro o autor procura "reafirmar os princípios que orientam historicamente o pensamento da esquerda e renová-los, a partir das demandas da época". Falta, para a esquerda nacional uma unificação de pautas, que deve começar pelo combate direto e irrestrito a manifestações como as de ontem. A esquerda precisa repensar os problemas de sua época e investir em táticas e estratégias de superação do capital. Isso significa sair das universidades e alcançar novos espaços sociais.
Por fim, indico para você que foi ontem as ruas e que compactuou com golpistas e militares, que assista pelo menos um dos 11 filmes listados abaixo:
Sem mais, só me resta dizer: beijinho no ombro pro seu impeachment!
quarta-feira, 29 de outubro de 2014
Bolsa Família não é osso para andar na boca de cachorro
As eleições se encerraram no último domingo, mas a política continua. Continua porque, como diria Hannah Arendt ela é a pluralidade entre os homens. Pretendo apresentar um breve balance do que tenho visto e presenciado nos últimos dias tanto nas redes sociais quanto no contato direto com colegas, companheiros de trabalhos e conhecidos de outras instâncias.
A sensação é, sobretudo, desesperadora. Inúmeros argumentos esdrúxulos e desconexos tem sido utilizados livremente para assegurar a perpetuação da exploração e da discriminação. Li em vários perfis de amigos virtuais, muitos dos quais devidamente excluídos por suas declarações xenófobas, que o Bolsa Família é um programa criado pelo governo PT para sustentar os pobres. Pretendo aqui elencar alguns pontos e desconstruir essa ideia, dentro de uma perspectiva também crítica. Em primeiro lugar é importante que fique claro que fui beneficiário desse programa e sei muito bem o que significou. Em segundo lugar destaco que não tenho simpatia alguma pelo PT, nem sua condução política, social e econômica-nítidamente em moldes neoliberais. O PT de hoje está completamente distante daquele da década de 1980 e que representava um momento de esperança para a classe trabalhadora brasileira, aglutinando vários setores progressistas e construindo núcleos de atuação. Para entender a transformação do PT nas últimas décadas ver o dossiê disponível no site (http://marxismo21.org/10-anos-de-governos-do-pt-natureza-de-classes-e-neoliberalismo/)
Mas voltemos ao Bolsa Família. Vejamos duas frases comumente lidas nas redes sociais:
1) "O bolsa família sustenta vagabundo": essa frase é espalhada por pessoas que acreditam piamente que "o trabalho dignifica o homem".Conforme dados disponibilizados no site do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), mais de 70% dos beneficiados com esse programa trabalham! Mas, se trabalham, porque precisam de renda extra? Porque a renda que ganham lhes oferece condições de atender as demandas mínimas de sobrevivência digna. Ou seja, falta alimento, material escolar, roupa e condições mínimas de moradia. O Bolsa Família atende famílias com renda per capita inferior a R$70 reais! Você já experimentou viver com esse valor? Se não, tente.
2) "A classe média, com seus impostos é que sustenta esse programa": indico, antes de qualquer coisa a leitura do texto publicado na Gazeta do Povo (http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/caixa-zero/quanto-o-bolsa-familia-custa-para-o-seu-bolso/). A União investe 24 bilhões por ano com esse programa e do nosso bolso não saí R$ 5 reais. Aí eu pergunto: reclama dos 24 bi, mas e os 1,7 trilhões para as amortizações da dívida pública? Só para te dar calafrios, a dívida interna atual, conforme exposto pelo site Auditoria Cidadã (http://www.auditoriacidada.org.br/) é de quase 3 trilhões e a externa de 485 bilhões.
O Bolsa Família é um bom programa a curto prazo, mas a longo prazo, como bem defendeu Isabel Grassiolili, em sua dissertação de mestrado (http://tede.unioeste.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1215), ele transforma a "riqueza passiva, vista como um problema social em pobreza ativa para o capital". Com o capital circulado a economia se aquece e a acumulação capitalista se mantém a todo tom. A contradição do bolsa família (ao mesmo tempo que insere parcelas consideráveis do subproletariado no mercado de trabalho, mantém a dinâmica econômica do capital ativa) não deve servir de osso na boca de cachorro. O fim da miséria implica necessariamente o fim dos desmandos do capital. Ou, o aprofundamento constante das políticas públicas. E convenhamos, o governo do PT está bem distante disso. Enquanto isso não acontece, você, que viaja para o Nordeste nas férias, tem carro parcelado em 36 vezes e a casa financiada precisa desenvolver melhor sua humanidade.
Em tempo: se você "cresceu na vida sem bolsa família", parabéns. Parabéns também e você precisou burlar vários impostos para conseguir isso.
Em tempo: se você "cresceu na vida sem bolsa família", parabéns. Parabéns também e você precisou burlar vários impostos para conseguir isso.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
Carta de um miserável ou aviso prévio aos dominadores
Aqui estou eu atingido pela
infelicidade da vida, vagando pela densa floresta da miséria. Sou fruto das
desigualdades impostas não pela natureza, mas pelo próprio homem. O homem é o
lobo do homem, dizia Thomas Hobbes fazendo uma alusão a capacidade
auto-destrutiva da humanidade. Não sou um andarilho, ou um sem-teto, ou um
morador de rua, ou um ébrio que vês todo dia caído nos becos das grandes metrópoles.
Grande equívoco! Sou um trabalhador como todos. Sou um explorado pelas
condições materiais! Sou mais um entre milhões desgraçadamente atingido por
baixos salários e condições extremas de vida.
Minha miséria não e apenas material,
mas também espiritual. Em meio ao caos da natureza, em meio a fome e a pobreza,
me sinto destituído da própria essência da vida: a justiça. Ouvi apregoarem a
muito tempo atrás alguns jargões, tais como liberdade, igualdade e
fraternidade. Entretanto, me parece que a sociedade do século XXI jamais ouviu
falar em tais palavras. Fui explorado! Fui destruído lentamente, corroído por
um câncer que não atingiu apenas meu corpo material, mas também minha mente,
meu coração. Como se não bastasse fui mortalmente atingido por uma flecha
venenosa: a ganância. Essa flecha estava atada à ponta do individualismo que
perpetrou meu coração. Posso ser rico um dia, mas as condições da sociedade em
que vivo sempre atestaram meu real sentido: miserável e individualista.
Miserável por ser dominado. Miserável por me sentir inútil. Miserável por
perder o elo de um mundo fraterno.
Senhores dominadores: não chorarei minha miséria. É findado o tempo em
que dominaste sobre os miseráveis sem deixar-lhes opções alguma, comandando com
braço de ferro. Foi vosso sistema que gerou essa situação caótica no mundo e é
contra ele que luto. Gostaria de apagar da historia vossas ações na África. O
cheiro de morte se faz sentir em vossas mãos! Desejaria apagar os crimes nas
Américas. O sangue indígena das multidões assassinadas clama pelas praças do
Peru, México, Brasil e outros. Fostes vós que gerastes esse mundo triste e vexatório,
entretanto seremos nós que o transformaremos em um novo mundo. Um mundo
socialmente livre, acima de tudo. Um mundo em que os direitos humanos estão no
trono da práxis.
Como poderás fazer isso sozinho? És um tolo! Podeis me questionar. Minha
resposta não será apenas a de um miserável, mas a de bilhões de miseráveis: não
farei nada sozinho, mas com meus companheiros. Tomamos consciência de vossa
hegemonia e contra ela levantamos o bastão da justiça social. Prevalecerá a
justiça da natureza e o que tiver que ser será. Não entronaremos uma pessoa,
mas uma classe: a classe trabalhadora. O que vos parece lamúrias de um
miserável é um aviso prévio de que o fim de vossa dominação esta chegando. Um
atestado de óbito.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
História: breves anotações sobre questões teóricas I
O discurso historiográfico acima caracterizado
levou historiadores a posteriori a denominarem essa escola de positivista
ou metódica. O historiador era um cientista: seu trabalho deveria estar
comprometido com um método. Em suma, a escola metódica marcou toda uma produção
historiográfica, tendo como representante principal o alemão Leopold Von Ranke.
A
crise dessa forma de escrever a historia se deu em meados do século XX em
especial a partir de 1930 e teve na figura de M. Bloch e L. Febvre seus
principais expoentes. Contrapondo-se a visão acima exposta acreditavam que ao
historiador não cabia julgar, mas sim compreender o passado. Em relação às
fontes históricas ouve uma importante ampliação dos documentos. Fonte, para os
professores Bloch e Febvre se refere a todo objeto que recebeu o toque do
homem: uma telha, uma pedra, uma folha, um papel, etc. Quebrando os paradigmas
da escola positivista afirmavam que ate mesmo as fontes "falsas" eram
úteis, na medida em que poderiam permitir ao historiador identificar as causas históricas
de tal falsificação. O objeto da historia passou a ser o homem, mais
especificamente o homem no tempo. Esse homem não era o mesmo da escola
metódica. Não era apenas o herói, mas o marginal, o ladrão, o povo, as
mulheres. Em suma: a história passou a ser “vista de baixo”. O passado só tinha
sentido na medida em que era interpretado pelo presente. Dessa forma, a
história passou a supor uma relação teórica mais intrínseca entre o sujeito e o
objeto e entre o presente e o passado.
sábado, 22 de outubro de 2011
Professor de Sociologia muito louco
Que existem professores um tanto "pirados" não á que discordar. Mas tem alguns que ultrapassam os limites da loucura. Você já imaginou um dia seu professor chegando na sala com um violão e dizendo que a aula será diferente? Veja no vídeo abaixo um professor de sociologia dando uma aula sobre Karl Marx "a la música sertaneja".
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Propagandas antigas: a dominação hegemônica da mídia
A mídia não é inocente. Nunca foi. Ela é o espelho da classe dominante, o reflexo de uma política que vende seu produto para uma classe: a burguesia. Trabalhadores e pobres não tem vez nesse sistema. Mas, existem produtos que alcançam todas as classe: a coca-cola é um exemplo. Por muitos chamada a "água negra do imperialismo" essa verdade não foge da realidade, principalmente quando observamos um antigo comercial dessa empresa. Os comerciais são, na verdade, uma amostra do produto, uma apresentação do "pronto". O comercial não representa de maneira alguma o sofrimento dos milhares de trabalhadores que deixaram o produto "pronto". Confira abaixo alguns comerciais que apresentam essa realidade. Eles são muito antigos e apresentam algumas empresas que ainda são líderes no mercado de consumo, como a Pernambucanas:
domingo, 14 de agosto de 2011
Peronismo, Esquerdas e história da Argentina
Na próxima semana estarei viajando para a cidade de Marechal Cândido Rondon, oeste do Estado do Paraná, para apresentar um trabalho sobre a esquerda na Argentina. Um resumo de meu trabalho foi publicado no site da Universidade Estadual do Oeste do Paraná e decidi colocar o texto na integra para que vocês possam acompanhar meu trabalho. Inicialmente destaco que a pesquisa é um tanto complicada de entender, por isso oriento os leitores que ao realizarem a analise façam de maneira lenta e pausada. Junto com o texto destaco também o link do evento para que vocês possam acompanhar. Boa leitura.
A
CONCEPÇÃO DO PERONISMO NO PENSAMENTO DE SÍLVIO FRONDIZI
Jeú
Daitch de Castilho[1]
Palavras-chave: Sílvio Frondizi, Peronismo,
História da Argentina.
O objetivo da
nossa comunicação é analisar a concepção de peronismo desenvolvida pelo
pensador marxista argentino Silvio Frondizi. Alem de autor de uma extensa obra
teórica enquanto historiador e sociólogo, Frondizi destacou-se por sua
militância político revolucionária e também como advogado de presos políticos.
Nosso autor apresenta uma nova interpretação do movimento peronista,
caracterizando-o como demagogismo e ditadura policial, em outras palavras:
bonapartismo. Segundo ele as praticas políticas peronistas apresentam aspectos
positivos e negativos. Entre os positivos é possível destacar: integração da
massa a vida política e desenvolvimento da consciência de classes. Entre os
aspectos negativos, apontados principalmente nos dois volumes de seu livro “La realidad argentina”, aparecem: fracasso na tentativa da realização da
revolução democrático-burguesa e ilusão das classes quanto às melhorias
propostas. Nessa obra, o militante argentino faz uma rigorosa analise da
estrutura política da Argentina, destacando o papel do Estado enquanto
regulador de poder. Rompendo as interpretações tradicionais da esquerda argentina,
Frondizi classifica o peronismo como bonapartista e acredita ser a revolução
socialista a única saída para os trabalhadores e para a economia argentina. Nosso
objetivo é entender o pensamento político de Frondizi, em especial a
interpretação que faz do peronismo, comparando-o com os projetos da esquerda
argentina.
[1] Graduando do sexto período da
Universidade Tuiuti do Paraná e professor de História da rede pública de
ensino.
Segue o link do evento. Nele se encontra, na página 25 minha públicação:
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